O que é que Angola tem? Juntamente com a pergunta encheu-se uma sala de pessoas muito preocupadas e ansiosas por serem convencidas de que angola é o santo graal das economias reformadas, para as respostas um convidado; Aguinaldo Jaime representante do Governo de Angola que por sinal nesta noite foi tudo; foi Matos, foi Morais, foi So tor, foi Sr. Ministro e finalmente Jaime. E dos labios muito vividos apenas sorrisos espereitavam.
Mas o que me faz escrever estas breves linhas foi sem duvida o tema: O que é que Angola tem? Falaram muito mas a resposta ca para mim ficou perdida na gulosidade dos presentes em fazer de Angola a menina nos olhos de Portugal.
Ontem pela primeira vez ouvi e vi os portugueses falerem com exclusividade do seu excessivo amor por Angola, até me lembrei das historias de Salazar que o meu pai contava de como era grande o seu amor pela “província”.
A partida só me resta concluir que os Portugueses não precisam que os incentivemos para cá vir, afinal somos irmaos, ha um amor profundo nos nossos coracoes e antes que seja tarde, o que eles precisam mesmo é de não terem vistos e burocracias.
Na minha opinião não é o que Angola tem mas sim, o que Angola não tem onde se encontra encerrado o maior de todos os desafios e consequentemente o tesouro dos tesouros. Está claro que a linguagem económica, político-social aplica-se numa dimenção tremenda quando reconsiderarmos o que falta fazer em Angola, e quais os reais potencias do meu país que prefiro nao comentar.
Agora voltando ao debate de ontem, testemunhei muitas emoções e um oportunismo sem tamanho de alguns convidados defendendo cada um a parte que lhes cabia.
Uma senhora que sabia muito sobre a nossa economia e que gesticulava muito falou e muito bem sobre números, e estatiscas bastante atuais realcando o seu com-patriotismo ao Aguinaldo que parecia muito incomodado com a falta de respeito da entrevistadora que teimosamente cortava o seu discurso.
Ouvi tambem as palavras de um dirigente da Unita sobre a necessidade de reformar ou formar a saúde e a educação, a meu ver um culto socialista que promove o desenvolvimento através das pessoas.
Outro Angolano a muito por aquelas paragens e especialista em energia falou e muito bem sobre reduzir a pobreza, sobre dar incentivo aos pobres para que se tornem tambem ricos.
Um médico recem formado, alertou Portugal sobre um problema germinante, os médicos portugueses lançam-se tambem na aventura dos descobrimentos assim como o fizeram as grandes empresas de construção civil e alguns grupos financeiros muito bem representados com os melhores cumprimentos ao Sr. Presidente Jose Eduardo dos Santos que disse e redisse para terem pressa antes que fosse tarde.
Falou tambem um tipo do ramo farmaucêtico e chegou com um conceito que agradou e muito os da bancada : as parcerias tripartidas. Porque no fundo se chateia o facto de a China ter cá chegado, chateia muito mais ter chegado sozinha, não terem os chineses recorrido aos empresarios portugueses faladores do idioma mãe e manejadores da bussola para alcancarem juntamente a tão almejada felicidade financeira foi mesmo uma grande estratégia (não vos queremos re-colonizar).
Um outro, defendeu o grande espirito de entre-ajuda que se vive em Angola, disse que se trabalha em dobro porque é mais dificil... o trânsito, gerador enfim... o que me saltou a vista foi o ar contente deste ao decrever os fins de semana. Ena pa, isso é que é viver, bora todos as ilhas de Luanda e do Mussulo.
Falou-se da burocratica das instituicoes, das necessidades, da corrupcao, das gasosas, dos dividendos, da delinquencia, dos orcamentos, etc.
Coube ao Sr. Aguinaldo Jaime dar respostas e desculpas bastante superfeciais sobre o que é bem e mal visto no nosso país, por tudo o que discursou acho que merecia uma promoção, resta saber a quê. Mas o que mais me impressionou foram as seguintes e notaveis palavras por ele proferidas: A transparência é um processo, e não se combate por decreto!
Nestas coisas de política pouco ou nada percebo, por isso sempre que posso oiço atentamente o que dizem os epecialitas para aprender. Por isso se me perguntassem a mim o que é que angola tem? A minha resposta seria tão obvia quanto esta: Angola tem angolanos!